18 Março 2009

Fazer o pino no Rio Seco

À porta de minha casa, na Rua da Maianga

Por trás da minha casa em Luanda, havia um parque conhecido por Rio Seco porque ficava junto a uma larga conduta de água em cimento, sem cobertura, que parecia o leito de um rio e que a maior parte do tempo estava vazia.

Lembro-me que existia lá um ringue de patinagem para onde, de vez em quando, ia jogar hóquei com o meu primo Nelito. Sim, que nós tínhamos patins, sticks, bola e queríamos ser jogadores “a sério”. Havia também relvados, baloiços, escorregas e outros brinquedos para os miúdos.

A recordação mais marcante que tenho desse parque foi um braço torcido. Armei-me em artista e tentei fazer o pino mesmo sem saber. Torci o braço e tive dores fortíssimas o resto do dia. Como não passavam, o meu avô Fernando levou-me a um desses milagreiros em vias de extinção conhecidos por “endireitas”, que além de recolocar tudo no seu devido lugar me ofereceu um saco cheio de rebuçados, fazendo quase valer a pena ter deslocado o braço.

Nunca esqueci este episódio, de tal forma que tive sempre medo de voltar a tentar fazer o pino. Ainda hoje não sei fazê-lo. Mas já prometi a mim próprio que quando lá voltar vou tentar. Nem que seja para marcar o meu regresso.

04 Fevereiro 2009

Luanda

Já faltou mais para este Regresso.

30 Dezembro 2008

Passagem de Ano

É comum dizer-se nesta altura de cada ano “parece que ainda ontem começou e já está a acabar”. Ao invés, acho que foi um ano bem cheio, que levou o seu tempo a passar. Se tentar recordar a última passagem de ano, não tenho a sensação de que tenha sido há tão pouco tempo assim, tantas foram as voltas que a vida deu entretanto.
Foi no frio que saímos de 2007 (não foi, Justos?) e será no frio que sairemos de 2008. E se há um ano atrás esperávamos que as temperaturas não nos incomodassem demasiado, lá para os lados de Vidago, desta vez vamos propositadamente em busca da neve, pelo que “dava jeito” que o termómetro se afundasse a sério.
E porque "ou vai ou racha", a escolha recaiu na aldeia mais alta de Portugal: Sabugueiro, na Serra da Estrela.
Por isso, amigos, aqui ficam votos de Boa Passagem de Ano e uma Feliz entrada em 2009.
Até para o ano. Se se portarem bem, depois conto como foi. :)

21 Dezembro 2008

Fogo, A Mota É Linda

É no estado que a foto retrata que se encontra actualmente a antiga fábrica de motorizadas FAMEL e ZUNDAPP, perto de Águeda.
Sinal dos tempos, as outrora marcas de sucesso não são hoje mais do que uma recordação para os maiores de 30 anos, pelo menos. Em breve será impossível ver nas nossas ruas ou estradas as míticas máquinas conduzidas por bigodudos de fato-macaco sujos de tinta, meias brancas com dupla lista colorida, manchas de pó de cimento e kikos fluorescentes na cabeça com o autocolante da praxe a dizer "Racing".
As próximas gerações não poderão fazer a piada de perguntar o que querem dizer as iniciais FAMEL porque já ninguém conhecerá sequer a marca.
Mais do que brincar com os nossos trolhas motoqueiros, faz-me pena ver que uma região inteira desaparece. Viveu durante décadas da metalo-mecânica e hoje é um amontoado de esqueletos espalhados pela paisagem.
No centro das cidades próximas, as lindas casas antigas estão hoje abandonadas, as janelas e portas dos andares inferiores foram tapadas com tijolos e as dos andares cimeiros servem apenas de fuga para os ramos das árvores que já nasceram no seu interior.
Retratos de um país moribundo.

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08 Dezembro 2008

O quarto de vestir

Os meus avós maternos eram transmontanos e eu recordo-me do tempo em que fazer a viagem de carro até à terra deles era um a autêntica aventura, impossível de ser feita sem muita paciência e uma caixa de comprimidos para o enjoo. Curva e contra-curva durante dezenas de infindáveis quilómetros eram um verdadeiro teste à resistência para os passageiros, principalmente os do banco de trás atirados de um lado para o outro do banco de dez em dez metros, ou menos.
Uma pequena parte da família ficou sempre a viver para aqueles lados, o que fez com que fossemos regularmente convidados para casamentos e baptizados. Compravam-se novas roupas, as senhoras escolhiam o melhor penteado e matutavam o que fazer para evitar que a viagem amarrotasse os tecidos das novas toilettes. O calor também não ajudava pois as festas eram invariavelmente no verão e os carros com ar condicionado ainda eram um luxo.
Certa vez, alguém se lembrou que não seria má ideia fazer a viagem com roupas confortáveis e parar alguns quilómetros antes do destino para vestir as da cerimónia. E assim se criou um hábito. A paragem, combinada com os vários carros que faziam a viagem juntos era feita numa velha casa de cantoneiro na berma da estrada.
Uns anos mais tarde foi reconstruída e recentemente fui reencontrá-la moribunda no mesmo local onde sempre esteve: a alguns quilómetros da chegada a Mesão Frio.

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24 Novembro 2008

A estrada

A estrada é para muitas pessoas um instrumento de trabalho que enfrentam diariamente com prazer. Mas para se gostar da estrada é preciso apreciar-se também a solidão, a introspecção, a reflexão, a planificação… a recordação. São muitas horas passadas com os pensamentos como companhia. Acumular quilómetros pode ser um gozo mas apenas se nos conseguirmos abstrair das curvas e das rectas. Para quem tem de percorrer centenas de quilómetros diários, conseguir evadir-se através dos pensamentos é um acelerador que parece encurtar distâncias.
Nesta nova fase da minha vida profissional que teve início este mês, voltei à estrada e devo confessar que já tinha saudades. Como se isso não bastasse, a zona que vou trabalhar é diferente da que antigamente percorria, o que me vai permitir conhecer uma outra parte de Portugal.
Nova fase da minha vida e como alguém me dizia um dia destes: número de telemóvel novo, emprego novo, carro novo e até idade nova.
Novos horizontes…na estrada!

24 Outubro 2008

Secar ou não secar ... o cabelo da Luana!

A vida é feita de pequenos momentos que temos de saber aproveitar.
O banho dos meus filhos, tarefa que não dispenso, tem desde há algum tempo um aliciante suplementar: aguardar pela secagem do cabelo da Luana para reviver os grandes êxitos dos Boney M: “Brown girl in the ring, lá lá lá lá lá…”.
Não parece mesmo?
A foto representa a diferença entre secar o cabelo dela com secador ou deixá-lo ao ar.
Bom fim-de-semana a todos.

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